Ao meu Ross,
Este ano completamos 25 anos de não sei o quê. Nossa relação nunca teve um padrão convencional mesmo...mas pretendíamos comemorar 25 anos de amizade em grande estilo. Convidaríamos amigos das antigas, faríamos uma interminável sessão "remember". Você falou até em publicar no jornal sobre o nosso amor (sim, você usou a palavra amor!).
Então a montanha russa da nossa relação entrou em declive de novo. E você me magoou de novo. E eu me afastei de ti, de novo. Chorei de novo, sofri de novo. Mas de "novo" isso não tem nada....nada em nossa relação é novidade. Não existe nenhum sentimento que eu não tenha sentido por você, dos mais simples aos mais extremos, dos mais suaves aos mais intensos. São 25 anos de emoções vivenciadas, destrinchadas, que deixaram todo o tipo de marcas em meu coração e em minha alma.
Nunca descobri o porque de não conseguir fechar essa porta de uma vez por todas. Uma porta que já foi selada, concretada, chumbada, queimada! Uma porta que já virou parede e foi dinamitada. Nada foi capaz de fechá-la para sempre. Não houve decepção ou mágoa que não fosse perdoada e mesmo das cinzas, essa relação sempre recomeçou, pra minha intensa alegria ou extrema tristeza....até que chegou um tempo de certeza em meu coração: a certeza de que esse amor sempre existirá e nada poderá removê-lo do meu peito. Eu não vou mais lutar por isso. Aceito o fato da impossibilidade de me desfazer dele, e o guardo, debaixo de muitas, muitas camadas de emoção. Sinto-me impotente e pequena, tenho raiva de mim por isso...mas de que adianta? Esse amor sempre foi mais forte do que eu. E por ser tão imenso, guardá-lo selado em meu coração é tarefa hercúlea, dói demais. Mas como eu já disse, não há caminho entre nós que eu não tenha percorrido, e este, de ausência, saudade e solidão, me é bem familiar.
Se eu pudesse te ver hoje, meu Ross, eu te diria: seja feliz do seu jeito! Eu te daria aquele abraço que só eu sei te dar. Eu não falaria nada sobre o que nos afastou pela milésima vez, eu apenas deixaria transparecer que já não tenho mais raiva, nem mágoa de você. E veria você partir, como sempre parte. É pena que eu não tenha coragem de procurá-lo mais....e sei que, pelo seu silêncio, você está bem. Se você não me procurou é porque está feliz, não é mesmo? Ou talvez porque você ache que eu é que estou errada e deva te procurar,e então o ciclo será infinito, até a gente se esbarrar na rua, que é como a gente sempre se reencontra, sem querer.
No dia do meu aniversário, do nosso aniversário de 25 anos, eu vou chorar por tudo que foi, por tudo que não foi, e por tudo que poderia ser.Eu vou passar o dia todo esperando que você entre em contato. E você não vai entrar, e eu vou ficar triste, e a tristeza vai passar e o ciclo, recomeça.
Eu nunca soube onde foi exatamente que não deu certo, onde foi que desandou, e o que faltou. Eu nunca deixei de me perguntar essas coisas. Mas não saber disso não muda o fato de você ser o meu Ross e eu vou te amar pra sempre.
Beijos tristes e cheio de saudades,
da sua Rachel
(I´ll be there, for you)

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