quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Flores mortas
E de repente não havia mais nada além do pranto.
Acabou a música, o sono, a vontade e o riso.
E não sobrou alegria, nem sonho, nem calor. 
Foi quando o vazio preencheu os espaços e o frio permeou os sentimentos.
E faltou cor e encanto.....
Foi quando meus pés ficaram sem chão e a minha alma se esvaziou até a última gota.
E não havia mais esperança, nem magia.
O gosto na boca ficou insosso e o abraço ficou frouxo, fraco, desnecessário.
E não deu mais vontade de nada, como se a estrada não mais existisse...
Tudo apagou ao mesmo tempo. E a desilusão sugou o que restava dos meus parcos sorrisos.
E apesar de já fazer tanto tempo, a falta por vezes me assalta e me congela a espinha dorsal.
Ficou o gosto residual amargo no fundo da garganta. Ficou a ausência jamais preenchida. Ficou a saudade, esmagando o peito.
E eu morri mil vezes, até perder tudo. E foram as lágrimas que carregaram a dor pra bem longe, até não ser mais alcançada.
Nunca mais vai ser desse jeito, não tem mais jeito!
Então por que ainda dói? Por que a ressaca? Por que o que não resta, não acaba?
Eu não sei.
Não entendo.
Não sinto.
Não quero.
Mas não estou anestesiada o suficiente, calejada o suficiente, conformada o suficiente.
E é por isso que a tristeza volta e faz morada. E espreme a alma. E entorta a sombra. E invade o espírito.
Então a gente fecha a porta, fecha os olhos, fecha os poros e os sentidos. Nada escapa, devidamente encapsulado no mais profundo do lado escuro da alma. Até a próxima lembrança abrir a porta, soltar a cortina e quebrar o vidro.
E é assim que a gente não vive, só sobrevive, arrasta, empurra lentamente. Até o próximo gole. Até a próxima dor. Então tchau.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Estava passeando com minha cachorra hoje a noite quando cruzei com um grupo de jovens bem típico: rindo, brincando, mexendo uns com os outros. Teriam passado despercebidos por mim, não fosse um dos rapazes perguntar em voz alta aos demais: o que significa dormir e acordar pensando numa pessoa? 
Eu ri alto! 
Não é possível tamanha ingenuidade num marmanjo daqueles....ou seria????
Fiquei o resto do trajeto pensando: foi uma pergunta retórica? Ou será que ele estava dando indireta pra alguma menina do grupo? Ah, que pena eu estar indo na direção contrária...eu queria ver o que os outros responderam! Ou ia dar uma de tia sem noção, meter na conversa e dizer: isso é paixão!!! Kkkkkk
Talvez fosse a primeira vez que o rapaz sentia isso, daí a estranheza. Ou talvez só estivesse preocupado com tamanha fixação no objeto de sua paixão.
Confesso que deu um pouquinho de saudade dos tempos de turma, andando pela cidade. Ou deu saudade desse pensar em alguém dia e noite. Ou um pouco de cada...foi por isso que eu sorri.
E sorrindo, virei a esquina, perdendo o grupo de vista. Se ele conseguiu descobrir o que significa, nunca vou saber. Mas sei que uma verdade não muda: entra geração, sai geração, e ela está lá, permeando nossos sonhos e desejos...a paixão. Seja tranquila, escondida, avassaladora ou assustadora, a paixonite aguda sempre nos pega de jeito, mais cedo ou mais tarde.
Sem ela nossa vida seria um tanto sem graça e nossa história, insossa. Dando dor de cabeça ou se solidificando como amor, a paixão é aquilo que traz cor e calor pros nossos dias. E só temos uma certeza em relação a ela: uma hora fatalmente acaba. Assim como o passeio com a Priscila acabou e voltei pra casa.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Final de tarde pede café, que combina com tapioca. E foi assim que terminou o dia comprido, de quem acabou de sair do horário de verão.
Uma xícara fumegante de café foi feita pra ser saboreada devagarinho, curtindo o sabor e pensando na vida...maneira boa pra terminar o dia de folga!
Entre um gole e uma garfada, fiquei pensando nos primeiros 15 dias morando sozinha, algo que não acontecia desde os tempos de faculdade. E não é que acho que estou me saindo bem? É preciso serenidade pra aceitar as coisas que não podemos mudar. Se estivesse aqui, Tiago ganharia uma crepioca e um chá pra me acompanhar....mas como não está, vou curtir o cair da tarde antes que o café esfrie.
De 17 de janeiro de 2018

Então vc vai ao pronto socorro por conta de uma distensão muscular e diz pra médica qual medicamento está tomando....ela então lhe diz que não vai passar outro remédio porque este já serve, mas que vc não deve tomar por mais de 7 dias.....até aí tudo bem, se não fosse o medicamento que vc vem tomando há 6 meses!!! Daí vc não sabe se surta ou se leva em conta que a médica do PS é uma clínica geral e quem te prescreveu foi seu ortopedista....melhor marcar consulta né? Mas que vc sentiu medo, sentiu. Ah, sentiu.
Então vc resolve parar de tomar o bendito remédio até consultar novamente com seu médico. Passam-se 3 dias e parece que seus joelhos são feitos de bolacha cream cracker (ou será biscoito? Oh céus, as dúvidas não cessam!), doendo a ponto de vc andar toda desengonçada. Vc pensa: ou o remédio é bom mesmo, ou vc está tão viciada que já está entrando em abstinência...então vc volta pro remédio. Com culpa. Com medo do fígado ter desintegrado sem vc perceber. Lembrando da bula quilométrica que vc quase entrou em depressão quando leu. Vc sabe que vai demorar umas 2 doses pro remédio fazer realmente efeito, mas vc queria que fosse alívio imediato, pra parar de andar igual uma pata....uma pata choca. Gorda e torta.
Você liga pra marcar consulta e descobre que seu ortopedista viajou e que só tem vaga pro final de fevereiro. Bate aquela vontade de surtar de novo, mas vc lembra que o convênio não autorizou tratamento com psicólogo ou psiquiatra, então nem adianta sair do prumo de vez. Vc respira fundo e reza pro remédio funcionar de novo. Reza pra médica do PS estar errada. Reza pra recepcionista ter errado, ligar de novo pra vc e dizer que o doutor vai atendê-la hoje a tarde. Vc para de rezar e ri escandalosamente, pois isso nunca vai acontecer.....então vc para de rir e de rezar e fica preocupada de novo, pensa no fígado de novo, nos efeitos colaterais de novo e lembra que um deles é vontade de suicidar-se....então vc pensa que a médica do PS não deve estar tããão errada assim, não é mesmo?
Daí vc para de pensar, confabular, conjecturar, porque vc lembra que não quer surtar....vc só quer andar sem dor, sem parecer uma pata. Será pedir muito? É....melhor vc voltar a rezar.....