terça-feira, 4 de dezembro de 2018



Batatinha com amor
Eu estava exausta após algumas comprinhas de natal e em busca de algum lugar para sentar quando finamente cheguei a um boulevard ali no centro. Além da dor nos joelhos, eu estava esbaforida e cansada, num semblante certamente nada amigável, quando um rapaz cadeirante veio vender-me um pacote de batatas fritas e eu rapidamente declinei, meneando a cabeça. Ele não insistiu, agradeceu e seguiu seu caminho. 
Fiquei observando-o até perder de vista. Ele ganhou vários nãos, iguais ao meu, pelo trajeto, eu fiquei me perguntando porque não o ajudei, quando tive oportunidade.... Era quase noite, ele parecia estar tão cansado quanto eu. Como pude ficar indiferente? Me senti mal por isso! 
Foi quando os céus resolveram me dar uma segunda chance: ele voltou e entrou numa loja perto do banco onde eu estava sentada. Assim que ele saiu, o chamei, e ele veio com um sorriso imenso no rosto. Perguntei o preço, ele disse, ressaltando que se comprasse 2 sairia mais barato. Estava animado com a venda, dava pra perceber. Talvez tenha rodado horas sem sucesso, talvez o dia todo...mas estava ali, de mochila nas costas e mãos calejadas de tanto empurrar a cadeira de roda. Num mundo de poucas oportunidades aos que tem deficiência, com tamanha falta de acessibilidade e respeito, ver alguém suportar e superar todos os obstáculos para ganhar seu sustento é bastante louvável. 
Comprei dois pacotinhos, sem saber que o melhor estava por vir: ao me entregar, ele me abençoou grandemente, dizendo palavras sinceras e doces. Desejou que Deus me multiplicasse e não me deixasse jamais faltar os recursos, que estivesse sempre comigo. Senti na mesma hora um refrigério na minha alma! Foi lindo! Eu achando que estava abençoando ele, comprando seu produto, mas ele é que me abençoou, ao vender suas batatinhas repletas de amor.
Não estou relatando isso para parecer boazinha, ou me exibir, mas porque eu QUASE perdi a chance de ajudar aquele homem pois estava imersa em minhas dores e cansaços...de nada adianta ser cristão só na teoria, saber o bem que podemos fazer e o deixar de praticar quando a oportunidade surge à nossa frente. Se aquele rapaz não tivesse voltado, só me restaria o remorso. Que bom que sempre é tempo de aprender o verdadeiro natal, que vai muito além das sacolas de compras que eu carregava!

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